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quinta-feira, 24 de março de 2011

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esuqeço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um 'não'.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa

A verdade é que damos demasiada importância a coisas que, na verdade, não a têm. E muitas vezes fazemos disso um caminho. É daqueles caminhos que não leva a lado nenhum. Daqueles que têm, à entrada, um sinal de rua sem saída.

Não vale a pena deixarmos de ser felizes e importarmo-nos com mesquinhices. Há mesmo coisas bem mais importantes em que pensar e com que nos devemos realmente preocupar. E muito menos valerá a pena deixarmo-nos derrotar, deixarmos de enfrentar os desafios com um sorriso na cara e espírito optimista. Porque o derrotismo não nos leva a lado nenhum, nem nos ajuda a conquistar o que queremos para a nossa vida. Energias positivas atraem coisas positivas, pelo menos é nisso que gosto de acreditar.

Aliás, é com as cabeçadas que vamos dando na vida que vamos aprendendo. E é assim que também vamos distinguindo o que queremos e não queremos para a nossa vida. Começamos a conseguir (finalmente) separar o que realmente importa do que não interessa para nada. Não se vê a olho nu, mas ao fim de algumas vezes a aparecer-nos à frente, é impossível não perceber. Porque a verdade é que, enquanto perdemos tempo a pensar nas coisas que não valem a pena, as outras, as que verdadeiramente importam, passam-nos ao lado, sem sequer darmos por elas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

"Como dizia o poeta Quem já passou por essa vida e não viveu Pode ser mais, mas sabe menos do que eu Porque a vida só se dá para quem se deu Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não Não há mal pior do que a descrença Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair Pra quê somar se a gente pode dividir Eu francamente já não quero nem saber De quem não vai porque tem medo de sofrer Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não" Vinicius de Moraes (retirado daqui)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
Fernando Pessoa

domingo, 26 de julho de 2009

Poema do fim de semana

Como já há bastante tempo não escrevia aqui um poema de Fernando Pessoa, deixo o deste fim-de-semana:

"O verde do céu azul antes do sol ir a nascer;
E o azul branco do ocidente onde o brilhar do sol se sumiu.

As cores verdadeiras das coisas que os olhos vêem -
O luar não branco mas cinzento levemente azulado.

Contenta-me ver com os olhos e não com as páginas lidas."

Alberto Caeiro, Poesia

Porque por vezes, não há palavras que descrevam imagens e o que os olhos vêem.
Há que olhar e absorver o momento, procurando não esquecer os sentimentos que em nós provoca.
Guardar no nosso álbum de fotografias interior e que todos nós temos.

Música que vai na minha cabeça: "Blue Bird On a Sunny Day" - Rita Red Shoes

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mais um poema

O poema do dia de hoje é para relembrar os velhos tempos da Brotero (e que bons tempos...) e as aulas de Português:

"Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra cousa ainda.
Essa cousa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!"

Fernando Pessoa, Ficções do Interlúdio

Música que vai na minha cabeça: "Choose love" - RIta Red Shoes

sexta-feira, 6 de março de 2009

Poema

Depois de muitos poemas de que não gostei particularmente, do de hoje gosto:

"A música, o luar e os sonhos são as minhas armas mágicas. Mas
por música não deve entender-se só aquela que se toca, se não
também aquela que fica eternamente por tocar. Por luar, ainda,
não se deve supor que se fala só do que vem da lua e faz as árvores
grandes perfis; há outro luar, que o mesmo sol não exclui, e obscurece
em pleno dia o que as coisas fingem ser. Só os sonhos são sempre o
que são. É o lado de nós em que nascemos e em que somos sempre
naturais e nossos."

Fernando Pessoa, A Hora do Diabo

É linda, não é? É minha :) Obrigada *

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Vamos ao poema de hoje?

" ... no desalinho triste das minhas emoções confusas...

Uma tristeza de crepúsculo, feita de cansaços e de renúncias falsas,
um tédio de sentir qualquer coisa, uma dor como de um soluço
parado ou de uma verdade obtida. Desenrola-se-me na alma desatenta
esta paisagem de abdicações - áleas de gestos abandonados, canteiros
altos de sonhos nem sequer bem sonhados, inconsequências, como muros
de buxo dividindo caminhos vazios, suposições, como velhos tanques
sem repuxo vivo, tudo se emaranha e se visualiza pobre no desalinho
triste das minhas sensações confusas."

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Música que vai na minha cabeça: "Vinho do Porto" - Carlos Paião

E já agora, que páre a chuva, se faz favor...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Parabéns!!

Hoje o meu amigo António faz anos e, como o prometido é devido, transcrevo aqui o poema de Fernando Pessoa do seu dia :)
Deliciem-se:

"Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas-noites,
E a minha voz contente dá as boas-noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme."

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro), Ficções do Interlúdio

Por acaso coincidiu ser o do dia de anos dele, mas é desde logo um dos poemas de que mais gosto deste Poemário :) as ideias simples de Alberto Caeiro dizem tudo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Há dias assim...

Há alturas em que tenho a cabeça a fervilhar de ideias para escrever aqui, mas depois não as consigo transcrever para o papel, leia-se para o teclado :p
Hoje é um desses dias, e como a inspiração não abunda muito, vou guiar-me pela de Fernando Pessoa. E como não sei se este blogue se mantém até Outubro, vou transcrever o poema do dia 23 desse mês. Não há muito para dizer sobre este poema, ele diz tudo por si só e reflecte exactamente o que sinto várias vezes. Senão vejam:

"Enfureço-me. Queria compreender tudo, saber tudo, realizar tudo,
dizer tudo, gozar tudo, sofrer tudo, sim, sofrer tudo. Mas nada disso
faço, nada, nada. Fico acabrunhado pela ideia daquilo que queria ter,
poder, sentir. A minha vida é um sonho imenso. Penso, às vezes, que
gostaria de cometer todos os crimes, todos os vícios, todas as acções
belas, nobres, grandiosas, beber o belo, o verdadeiro, o bem de um só
trago e adormecer em seguida para sempre no seio tranquilo do Nada.
Deixem-me chorar."

Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal

Música que vai na minha cabeça: "Lost" - Coldplay

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Não, a sério

Eu sei que vou falar outra vez do estado do tempo, eu sei (até é um bom desbloqueador de conversa), mas haja alguém que me explique qual o interesse desta chuva estúpida. A sério. É que irrita-me. Ora vem a chuva de um lado, ora vem a chuva do outro, ora vem de frente. Não há chapéu que me valha, fico toda molhada na mesma. E depois é aquela chuva que parece que cola e isso aliado à humidade imensa. Que nervos!

Bem, mas para relaxar um bocadinho, que tal mais um poema do fantástico Fernando Pessoa? Desta vez, o do dia de hoje:

"Aquela falsa e triste semelhança
Entre quem julgo ser e quem eu sou.
Sou a máscara que volve a ser criança,
Mas reconheço, adulto, aonde estou,

Isto não é o Carnaval, nem eu.
Tenho vontade de dormir, e ando.
O que se passa, ondeando, em torno meu,
Passa.

Dormir, despir-me deste mundo ultraje,
Como quem despe um dominó roubado
Despir a alma postiça como a um traje.

Tenho náusea carnal do meu destino.
Quase me cansa me cansar. E vou,
Anónimo, menino,
Por meu ser fora À busca de quem sou."

Álvaro de Campos, Poesia

Música que vai na minha cabeça: "Colorblind" - Counting Crows

domingo, 18 de janeiro de 2009

Poema #1

Ontem foi dia de mais um dos nossos jantares. Dois anos depois, voltámos lá e foi fantástico :)

A Sílvia ofereceu-me um Poemário de Fernando Pessoa. Tem um poema para cada dia do ano e, por isso, este blogue vai passar a ter uma vertente de cultura ;) mas como hoje já é dia 18 e há mais poemas para trás, vou transcrever o do dia 2 de Janeiro:

Poema de hoje:

"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro,
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo
o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos
podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver."
Alberto Caeiro, Poesia
Música que vai na minha cabeça: "The man who can´t be moved" - The Script