Mostrar mensagens com a etiqueta O Amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Amor. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 24 de maio de 2012

É isso :)



A vida prega-nos partidas. Mas daquelas bem pregadas mesmo. De tal maneira que, coisas que antes dizíamos que nunca na vida nos iriam acontecer, acontecem mesmo.
Por vezes apanham-nos desprevenidos, qual tufão que surge sem que o esperássemos. Mas noutras vezes, não é tão de repente assim e vai-nos dando hipótese de nos apercebermos.
E é bom quando a surpresa é boa e gosto quando surge assim, devagarinho, dando tempo para pensar no que está a acontecer, mesmo que não se saiba explicar o porquê e mesmo que algo tenha feito com que a realidade passasse a ser outra.
Nesses casos, penso que há que simplesmente aceitar e ir usufruindo da novidade, vivendo um dia de cada vez com ela e ir aproveitando o bem que ela nos faz e as coisas boas que traz para a nossa vida.
Porque uma coisa é certa, se nos sentimos bem, felizes e cada dia mais preenchidos, é sinal que temos que a aproveitar ao máximo.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Como o Miguel Esteves Cardoso acerta sempre. Sempre.

No Amor começa-se sempre a Zero. Fazer um registo de propriedade é chato e difícil mas fazer uma declaração de amor ainda é pior. Ninguém sabe como. Não há minuta. Não há sequer um despachante ao qual o premente assunto se possa entregar. As declarações de amor têm de ser feitas pelo próprio. A experiência não serve de nada — por muitas declarações que já se tenham feito, cada uma é completamente d...iferente das anteriores. No amor, aliás, a experiência só demonstra uma coisa: que não tem nada que estar a demonstrar coisíssima nenhuma. É verdade — começa-se sempre do zero. Cada vez que uma pessoa se apaixona, regressa à suprema inocência, inépcia e barbárie da puberdade. Sobem-nos as bainhas das calças nas pernas e quando damos por nós estamos de calções. A experiência não serve de nada na luta contra o fogo do amor. Imaginem-se duas pessoas apanhadas no meio de um incêndio, sem poderem fugir, e veja-se o sentido que faria uma delas virar-se para a outra e dizer: «Ouve lá, tu que tens experiência de queimaduras do primeiro grau...»

Pode ter-se sessenta anos. Mas no dia em que o peito sacode com as aurículas a brincar aos carrinhos-de-choque com os ventrículos, Deus Nosso Senhor carrega no grande botão «CLEAR» que mandou pôr na consola consoladora dos nossos corações. Esquece-se tudo. Que garfo usar com o peixe. Que flores comprar. Que palavras dizer. Que gravata com que raio de casaco hei-de usar? Sabe-se nada. Nicles.
Olha-se para as mãos e parece uma cena de transformação dum filme de lobisomens — de onde outrora havia aqueles dedos tão ágeis e pianistas, brotam dez abortos de polegares. E o vinho entorna-se só de pensar nisso. E as solas dos sapatos passam a atrair magneticamente todos os excrementos caninos da cidade. E a voz que era toda FM Estéreo da Comercial quando vai para dizer «Gosto muito de ti» fica repentinamente Abelha Maia.
Tenha-se 17 ou 71 anos, regressa-se automaticamente aos 13 — à terrível idade do Clearasil e das sensações como que de absorção. Quem se apaixona dá mesmo saltos no ar e diz «Uau!» quando o Pai deixa usar a pasta de dentes dele. Qual «ternura dos quarenta», qual bota da tropa cheia de minhocas! O amor é sempre uma anormalidade que provoca graves atrasos mentais.

Miguel Esteves Cardoso, in "Os Meus Problemas"

quinta-feira, 24 de março de 2011

E por falar em gostos e quereres

Devemos ser exigentes e querer o máximo a que temos direito. Porque merecemos, pura e simplesmente. Não temos que nos contentar com pouco ou com migalhas.

Temos (e queremos) ver esforço e luta e desafios e criatividade (contra mim falo, confesso, mas nada que não se queira mudar, também).

Queremos atenção, queremos sentir todos os dias que vale a pena e que estamos ali porque queremos.

Queremos companheirismo, planos partilhados e muita cumplicidade.

Queremos olhares que digam tudo.

Queremos sinceridade e honestidade, acima de tudo.

Queremos sentir a conquista dia-a-dia, nos pormenores, nos gestos, nas palavras, nos olhares, nas surpresas e na vontade.

Queremos poder ter a certeza, mas não dar nada por garantido.

Queremos paixão e carinho.

Claro que tudo é recíproco. No entanto, não devemos dar de nós tudo de uma vez. Não podemos sentir que estamos a dar mais do que o que nos é dado em troca. Tem que ser equilibrado, porque o barco não pode ser conduzido só por um dos lados.

Gostos não se discutem

Eu quando gosto, não gosto só um bocadinho, nem gosto assim-assim, nem mais ou menos.

Também não gosto com cinzentos. Gosto antes com branco e preto, vermelho e amarelo, verde, azul e cor-de-rosa, roxo e cor-de-laranja também. Há dias em que até gosto com as cores todas. E ao mesmo tempo.

Gosto com abraços e sorrisos e gargalhadas e beijos e festinhas. Mimos e mãos dadas também. Mas também gosto com lágrimas e vozes altas e caras feias. Mas gosto mais com sorrisos e alegria.

Gosto com lanches e almoços e jantares. Pequenos-almoços também são bons.

Gosto com cinema e filmes no sofá.

Gosto com surpresa e lembranças e pormenores. Com mails, mensagens e fotografias.

Gosto com música e dança.

Gosto com praia e calor e chinelo no pé. Mas também gosto com frio, luvas, chuva e trovoada.

Gosto com gelados e crepes e fruta. E com crepes com gelado e fruta.

Gosto com brincadeiras de criança e palermices. Mas também gosto com conversas sérias e planos feitos a dois.

Só sei gostar assim.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Faz hoje um ano que a minha vida mudou. Completamente. Inesperadamente. E mudou para melhor, muito melhor.
Não pensava, sinceramente, que fosse possível a minha vida dar uma volta tão radical, de um dia para o outro. Quer dizer, de certa forma, foi sendo aos poucos. Devagarinho. Como quem não quer a coisa. Como quem entra de mansinho, passando despercebido.
Fui deixando levar, deixando as coisas andarem, para ver no que dava, sem perceber, confesso, qual era o objectivo final. Não sabia se tinha alguma coisa a ganhar, mas como a perder não tinha de certeza, correspondi.
É engraçado ver como a vida nos prega partidas. E faz com que, 10 anos depois, alguém volte a aparecer na nossa vida. Nunca imaginei, nunca pensei, nunca me passou sequer pela cabeça. Mas provavelmente sabe bem melhor quando assim é.
Um ano depois ainda parece que custa a acreditar. Ainda relembramos como tudo aconteceu. De uma forma tão simples que parece impossível. É nestas alturas que acredito, um bocadinho que seja, que há certas coisas que estão destinadas a acontecer. Naquela altura, precisamente.
"You´re like an indian summer in the middle of the winter". :)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

E comentando uma reportagem do Telejornal sobre se os homens são capazes de fazer felizes as suas companheiras e vice-versa, tenho a dizer que não tenho nem umazinha razão de queixa para amostra. :)

"I Know, some people search the world, to find something like what we have." (Alicia Keys, No One).

Será? :)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"Elogio ao Amor"

"Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
(...) Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso )

Nunca li um texto que descreva tão bem o que é o amor, deixou-me sem palavras, por isso, não tenho mais nada a dizer por hoje...