Há alturas em que tenho a cabeça a fervilhar de ideias para escrever aqui, mas depois não as consigo transcrever para o papel, leia-se para o teclado :pHoje é um desses dias, e como a inspiração não abunda muito, vou guiar-me pela de Fernando Pessoa. E como não sei se este blogue se mantém até Outubro, vou transcrever o poema do dia 23 desse mês. Não há muito para dizer sobre este poema, ele diz tudo por si só e reflecte exactamente o que sinto várias vezes. Senão vejam: "Enfureço-me. Queria compreender tudo, saber tudo, realizar tudo,
dizer tudo, gozar tudo, sofrer tudo, sim, sofrer tudo. Mas nada disso
faço, nada, nada. Fico acabrunhado pela ideia daquilo que queria ter,
poder, sentir. A minha vida é um sonho imenso. Penso, às vezes, que
gostaria de cometer todos os crimes, todos os vícios, todas as acções
belas, nobres, grandiosas, beber o belo, o verdadeiro, o bem de um só
trago e adormecer em seguida para sempre no seio tranquilo do Nada.
Deixem-me chorar."
Fernando Pessoa, Escritos Autobiográficos, Automáticos e de Reflexão Pessoal Música que vai na minha cabeça: "Lost" - Coldplay